domingo, agosto 6

Como a essas alturas ninguém mais lê isto aqui, acho que nada me impede de cometer um post extemporâneo sobre a Copa do Mundo. Duas palavras bastam para resumir o meu pensamento a respeito do que ocorreu dentro das quatro linhas: um porre. Parece até que a cada nova Copa as seleções se esforçam para piorar o nível técnico. Nesse sentido, as pelejas do escrete canarinho foram particularmente sofríveis. Pensando em retrospecto, talvez eu devesse tê-las eternizado em vídeo. Seriam um ótimo antídoto contra futuras crises de insônia (juro que quase cochilei naquela pelada contra Gana). Felizmente o gol do Henry colocou um ponto final no ufanismo histérico e despropositado dos torcedores que têm o Galvão como guru. Ah, antes que eu me esqueça: quem inventou a corneta plástica merece arder no fogo do inferno.
O que salvou a Copa do fracasso total foi o memorável Portugal x Holanda, também conhecido como Batalha de Nuremberg. Foi um espetáculo sublime, de dar lágrimas nos olhos. Na briga por uma vaga nas quartas, jogadores baixaram o sarrafo do primeiro ao último minuto, Felipão e Van Basten trocaram ofensas na beira do campo, cartões vermelhos jorraram do bolso do árbitro e o resultado permaneceu imprevisível até o apito final. O exato oposto do enfado profissional exibido pelos milionários tupiniquins. Outro jogo digno de nota, especialmente pela empolgante prorrogação, foi Alemanha x Itália, o clássico do Eixo. Destaque para o desengonçado atacante Luca Toni, cujo nome me despertou a lembrança de um personagem de "O poderoso chefão" e, por consequência, do refrão de "I am the mob", música bacana do Catatonia em que ele é citado: Luca Brasi, ah he sleeps with the fishes.
Mas não tem nada não, outras Copas virão e novamente teremos a chance de reforçar os nossos estereótipos. Que o diga aquela cidadezinha suíça que hospedou a seleção na fase de treinamentos e foi literalmente invadida pela malta brasileira (ô, raça!). Suas ruas, antes sossegadas, foram tomadas por ambulantes, muita batucada e moçoilas desinibidas que utilizam eufemismos para definir sua ocupação (dançarina é um dos favoritos). Tudo isso reportado, com indisfarçável orgulho, pelo Jornal Nacional.

É, finalmente retomei o blog. Só posso dizer que enquanto parar é fácil, recomeçar é difícil à beça.

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